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O espermatozóide aleijadinho

Havia um espermatozóide que era aleijado, coitadinho. Não tinha aquela cauda que os espermatozóides precisam ter para nadar em direção ao óvulo, para tentar fecundá-lo. Era motivo de gozação de seus colegas que, efêmeros, passavam por sua vida e não perdiam tempo em gozá-lo. 
- E aí, aleijadinho. Perneta! Sem rabo! Desrabado
Chegaram ao cúmulo de gritarem: "e aí, sem bunda". Pode?
E o tempo ia passando e ele, ali, no saco de alguém, nada de nadar, nada de fecundar ninguém. Os outros "colegas" todos, faceiros, saiam em grupo, aos milhões, para tentar fecundar algum óvulo atraente que estivesse dando sopa por aquelas paragens. E ele nada. Eu falei NADA? Falei bem...
Mas, continuando, o pobre coitado ia levando sua pobre vidinha, chegando até a ajudar aos colegas em suas nobres missões de fecundação.
Nos intervalos em que ficava sozinho ele pensava lá com seus botões (espermatozóide tem botões, por acaso?), se um dia conseguiria, pelo menos tentar fecundar um óvulo. Um único ovulozinho, pelo menos. Mas, qual... Nada acontecia e o tempo ia passando. Ele cada vez mais velho e, consequentemente, sem chances. Claro que "velho" no tempo espermatozóidico, que dura pouco tempo. Já estava até esperando a morte.
Até que, um dia, um novo grupo de espermatozóides se formou e, sensibilizado com a sua situação, resolveu ajudá-lo. 
- Olhe, colega. Nós vamos te ajudar a, pelo menos, tentar uma fecundação. Vamos te ajudar a sair em uma ejaculação de nosso dono. Achamos que você tem pouca chance mas, vamos te ajudar, mesmo assim. Fechado?
- Ótimo, amigos. Eu já tinha perdido as esperanças. Como vocês são legais. Eu sei que não tenho chances mas, não custa tentar, ? Obrigado, amigos, obrigado!
E assim eles fizeram. Esperaram a hora certa. Até que ela chegou. Sentiram um grande tremor, sinal de que seu dono estava usando seu "aparelho" e que era o sinal que eles estavam esperando para pôr nosso amigo "aleijadinho" na frente deles todos e, assim, sair junto com eles (ser espirrado) em direção ao óvulo.
E assim, fizeram ele ficar bem na frente deles todos. Se juntaram, formando um bloco, uma grande massa para poder empurrá-lo e, conseqüentemente, fazê-lo sair na hora da ejaculação. E o tremor aumentando, o barulho aumentando e eles sentiram que estavam saindo, com aquela força incrível que só uma gozada tem, sem volta. 
Quando estavam bem na "porta" do pau, saindo já, o espermatozóide aleijadinho abriu os braços, desesperado e gritou: 
- Pára, pessoal, pára! É punheta, é punheta-a-a-a-a-a!!!

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